Mergulho e snorkeling no Brasil: onde a água é transparente
O Brasil oferece dois mundos submersos muito diferentes: os rios de nascente do interior, onde se boia com máscara e são os peixes que vêm ter consigo, e o mergulho oceânico em arquipélagos e recifes.
Dois países debaixo de água
Quase toda a gente pensa no mar quando se fala de mergulho no Brasil, e o mar é apenas metade da história. No interior, no país calcário do Mato Grosso do Sul, os rios nascem já filtrados pela rocha e correm tão limpos que a flutuação rio abaixo se tornou a atividade símbolo da região. Não há profundidade, não há brevê e não há barco: boia-se e olha-se.
O lado oceânico é outra coisa por completo: arquipélagos atlânticos com paredes vulcânicas e peixe pelágico, recifes ao longo da costa nordestina e destroços ao largo do sudeste. Esse lado exige certificação, barco e, nos sítios mais conhecidos, planeamento com meses de antecedência.
Rios limpos: snorkeling sem mergulho
As flutuações da região de Bonito, no Mato Grosso do Sul, são a referência. Veste-se fato de neoprene, colete de flutuação, máscara e tubo, e a corrente leva o visitante rio abaixo por entre cardumes que não fogem. Não é preciso saber nadar, e é por isso que funciona com crianças e com quem nunca pôs a cara dentro de água.
Ali a transparência depende da chuva e não da estação: a água sai limpa da rocha, e o que a turva é o sedimento arrastado depois de um temporal. Os meses mais secos são os mais previsíveis, ao preço de água mais fria.
O mergulho no mar
Os arquipélagos ao largo dão o mergulho oceânico mais conhecido do país, com fauna marinha grande e uma visibilidade que vem da distância a qualquer foz. Esses lugares têm limites rígidos de visitantes, e o acesso faz parte do planeamento.
Ao longo da costa, as condições mudam com a proximidade das fozes e com a época de chuvas: o mesmo sítio pode estar excelente num mês e turvo no seguinte. Os operadores locais são a única fonte fiável nisso.
O que não se toca
Os dois mundos são frágeis, e nos dois o estrago vem da mão e da barbatana, não da presença:
- Nada se toca — coral, formação de gruta e planta aquática deixam de crescer onde passou uma mão.
- Barbatanas acima do fundo: uma pernada distraída turva um rio durante minutos e parte coral durante anos.
- Não pisar o fundo de um rio transparente, que é a regra que todos os briefings de flutuação repetem.
- Não alimentar os peixes, o que muda o comportamento do cardume que se foi ver.
- Protetor solar aplicado muito antes de entrar, ou roupa de proteção no lugar dele.
Como escolher
| Rios limpos | Oceano | |
|---|---|---|
| Certificação | Não é precisa para flutuação | Exigida para mergulho com garrafa |
| Serve sobretudo a | Famílias, iniciantes, peixe de perto | Fauna grande, paredes, destroços |
| Variável principal | A chuva na bacia | Época e distância às fozes |
| Planeamento | Marcar com antecedência na época alta | Marcar muito cedo onde há quota |