Guia de viagem de Bonito, MS
Bonito, em Mato Grosso do Sul, é o destino do Brasil onde não dá para improvisar. Todo o atrativo funciona com marcação e tecto diário, e a viagem monta-se ao c
O Buraco das Araras é uma dolina enorme no concelho de Jardim, habitada por araras-vermelhas. A visita é um trilho curto e plano até dois miradouros — o passeio mais leve da região e o que mais depende da hora.
O Buraco das Araras é uma dolina — uma depressão formada pelo abatimento do teto de uma gruta calcária — no concelho de Jardim, na estrada que liga Bonito ao Rio da Prata. Visto de cima, é um poço circular de paredes avermelhadas, com mata no fundo e um pequeno lago.
O que o tornou conhecido não foi a geologia, mas a fauna: as paredes interiores abrigam ninhos de araras-vermelhas, que passam o dia a entrar e a sair aos pares. A visita é uma caminhada curta e plana até dois miradouros, acompanhada por guia.
As araras têm rotina. A maior movimentação acontece de manhã cedo, quando saem para se alimentar, e ao fim da tarde, quando regressam. A meio do dia, com sol alto e calor, ficam recolhidas à sombra das paredes e a dolina parece vazia.
Quem encaixa o Buraco das Araras como paragem rápida entre dois compromissos costuma achar o passeio fraco — e o problema não foi o atrativo, foi a hora.
A distância entre o miradouro e as aves é grande. O telemóvel regista a paisagem da dolina, mas raramente devolve uma arara reconhecível. Um binóculo muda a visita muito mais do que uma máquina medíocre.
A visita funciona o ano inteiro e não depende da transparência da água. É por isso mesmo que se torna a melhor carta na manga num dia de chuva, quando a flutuação e as cascatas ficam comprometidas. Em dias de sol forte, o trilho e os miradouros são abertos e quentes: chapéu e água resolvem.
A arara-vermelha é uma ave grande, de plumagem predominantemente escarlate, que nidifica em cavidades — em paredões rochosos, como aqui, ou em troncos de palmeiras. Forma casais de longa duração e voa quase sempre a par, o que explica a imagem que todos os visitantes levam do lugar: dois pontos vermelhos a cruzar o vazio da dolina.
A colónia do Buraco das Araras é residente. Os animais não são atraídos, alimentados nem manejados: vivem ali porque as paredes oferecem cavidades de nidificação protegidas de predadores terrestres. E continuam a viver apesar do fluxo diário de visitantes, porque a observação se faz do alto e a área do fundo é preservada.
Trata-se de fauna livre, portanto não há garantia. Mas a colónia é residente e a probabilidade é alta nas horas de movimento.
É o passeio mais leve de um roteiro típico de Bonito: trilho curto e plano, sem escadaria íngreme e sem entrada na água.
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