Fauna do Pantanal: o melhor sítio do Brasil para ver animais
O Pantanal é o sítio do Brasil onde a fauna é mais fácil de ver, e funciona ao contrário do que se supõe: a melhor época é a seca, quando a água a recuar concentra os animais à volta do que resta.
Porquê o Pantanal e não a Amazónia
A maioria dos visitantes supõe que é na Amazónia que se veem animais. Na prática é o sítio onde é mais difícil: a floresta é fechada, a copa é alta e a fauna está dispersa e escondida. O Pantanal é planície inundável aberta — campo, capões de mata e água — e ali os animais são simplesmente visíveis, o que não são sob copa fechada.
É toda essa a razão por que a região se tornou o destino de fauna do Brasil. Não é que haja mais vida ali; é que se vê.
O ciclo das cheias decide tudo
As chuvas de verão caem no planalto em redor e levam semanas a chegar à planície, que é quase plana. Sem declive, a água não escoa: espalha-se. Meses depois recua, deixando nutrientes no campo e concentrando o peixe nas lagoas que restam.
É essa concentração que faz da época seca, grosso modo de maio a setembro, o melhor período para avistamentos: a fauna tem menos sítios onde estar. Na cheia, de dezembro a março, a paisagem é mais dramática e os animais mais difíceis de encontrar.
Como visitar
Entra-se no Pantanal por estradas que saem das cidades da borda, e fica-se em fazendas e pousadas dentro da planície, quase sempre com um programa de atividades incluído. Os passeios de um dia existem e dão uma amostra honesta, mas as boas janelas são o amanhecer e o anoitecer — exatamente o que um passeio de um dia perde.
Duas noites é o ponto em que a viagem começa a justificar a distância, porque dá quatro saídas de campo nas horas que contam.
As duas entradas, e porque não se trocam
O Pantanal estende-se por dois estados e entra-se nele por dois lados diferentes. O lado norte, no Mato Grosso, é alcançado por uma única estrada de terra que avança para dentro da planície e acaba num rio — o caminho mais associado à observação de onça a partir de barco. O lado sul, no Mato Grosso do Sul, entra-se por cidades da estrada e leva a fazendas com caminhos e trilhos próprios.
Estão a centenas de quilómetros um do outro e não existe travessia prática entre eles por dentro da planície. Escolher o lado é, portanto, a primeira decisão da viagem, antes de qualquer pousada, e fazer os dois não é opção.
O que se vê de facto
- Jacarés e capivaras: praticamente garantidos, em grande número.
- Aves aquáticas, incluindo o tuiuiú, que é o símbolo da região.
- Cervo-do-pantanal, queixadas, quatis e macacos, comuns na época seca.
- Onça, anta e tamanduá-bandeira: possíveis, nunca prometidos.