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Grutas e dolinas em Bonito, MS

O mesmo calcário que limpa os rios de Bonito, em Mato Grosso do Sul, escavou o chão embaixo deles. Em algumas grutas você entra andando, numa desce na corda, e todas são o dia que a chuva não tira de você.

Gruta do Lago Azul, Bonito, Mato Grosso do Sul
A Gruta do Lago Azul, a gruta que deu a Bonito, MS a sua imagem mais conhecida.

As grutas de Bonito, MS são a outra metade do que o calcário construiu. A mesma rocha que filtra a água da chuva e dá aos rios a transparência foi dissolvida por baixo durante muito tempo, deixando sob o pasto salões, dolinas e galerias alagadas.

Cinco delas estão abertas a visitante, e não são variações umas das outras. Em duas se entra andando por passarelas, numa se desce na corda, em outra se flutua de máscara, e a última é um salão seco e grande em que a escala do espaço é o assunto inteiro.

São também o atrativo mais à prova de tempo do município. Quando a chuva turva os rios e fecha a flutuação, as grutas seguem iguais — e é por isso que uma viagem bem montada guarda uma delas de reserva em vez de cravar data para ela.

Por que existem tantas grutas aqui

A água da chuva recolhe gás carbônico ao atravessar o solo e fica levemente ácida. Ao longo de centenas de milhares de anos, essa água dissolve o calcário pelas fraturas da rocha, alargando elas em galerias e depois em salões.

Quando um salão cresce o bastante, o teto desaba e deixa uma dolina aberta para o céu — é isso que são o Buraco das Araras e a Lagoa Misteriosa. Quando o lençol freático fica acima do piso do salão, ele alaga e dá os lagos subterrâneos pelos quais Bonito é conhecida.

Passarelas e formações calcárias numa gruta seca de Bonito, MS

As formações lá dentro — estalactites penduradas no teto, estalagmites subindo do chão, colunas onde as duas se encontraram — são o mesmo processo ao contrário: a água depositando o mineral que dissolveu lá em cima. Elas crescem devagar o bastante para tocar numa não ser coisa pequena, e é por isso que existem as passarelas e que os guias cobram elas.

Grutas secas e grutas alagadas

A divisão prática é entre gruta em que se entra andando e gruta em que se entra dentro d’água, e ela decide quase tudo do dia:

  • Grutas secas — passarelas construídas, visita guiada, nenhum equipamento além de calçado com aderência, e uma manhã com o deslocamento incluído.
  • Grutas alagadas — neoprene e máscara, às vezes descida em corda, sempre briefing, e exigência real de idade e saúde.
  • Dolinas abertas para o céu — vistas da borda em vez de percorridas, e muitas vezes mais assunto de fauna do que de rocha.
  • Esforço — as secas pedem escada e equilíbrio; as alagadas pedem tranquilidade com altura, com espaço fechado ou com os dois.
  • Agendamento — cada gruta exige voucher e quase todas guia credenciado, igual aos rios.

Uma de cada tipo é a divisão sensata para três ou quatro dias. Duas grutas secas seguidas viram uma lembrança só, do mesmo jeito que dois rios de flutuação.

Gruta do Lago Azul, Bonito, Mato Grosso do Sul

Gruta do Lago Azul

A imagem que a maioria já tem de Bonito, MS. Desce-se por degraus de pedra até um salão grande com um lago cujo azul vem da luz que alcança a água pela entrada em determinada hora da manhã. É monumento natural protegido, e o acesso é controlado por causa disso.

A descida e a subida são a parte física da visita, em degraus irregulares, molhados e escorregadios em alguns pontos. Não tem banho nem barco: olha-se o lago de uma plataforma, e essa é a visita inteira, que ocupa uma manhã com o deslocamento.

Vá cedo. A cor depende do ângulo da luz, então são os primeiros horários do dia que mostram o lago como nas fotos. Mais tarde o salão continua impressionante, mas o azul pelo qual se vai fica mais fraco.

Gruta de São Miguel, Bonito, Mato Grosso do Sul

Gruta de São Miguel

A gruta mais acessível da região, numa passarela elevada que passa por entre as formações em vez de ao lado delas. Se degrau e piso irregular são problema para alguém do grupo, é esta a gruta a escolher, e não tem gosto de prêmio de consolação.

A visita é guiada e curta, o que faz dela a segunda metade natural de um dia que começou num rio. É também o melhor lugar aqui para ouvir explicarem as formações: os guias usam a passarela para mostrar como estalactite, estalagmite e coluna se correspondem.

Uma ponte pênsil no acesso é a parte que a maioria fotografa na chegada, e normalmente vem junto uma trilha curta na mata. Confortável para criança, para visitante mais velho e em dia de chuva.

Gruta Catedral, Bonito, Mato Grosso do Sul

Gruta Catedral

Um salão seco e grande em que o que conta é a escala do espaço, não a água. As formações são densas, o teto é alto e a iluminação foi montada para mostrar a altura em vez de favorecer detalhe isolado — é daí que vem o nome.

É visita a pé com guia, num percurso que não exige técnica nem equipamento além de calçado que agarre. Conte uma manhã com o deslocamento, e espere temperatura interna bem mais estável do que lá fora.

Junte com um rio pela manhã em vez de com outra gruta. Duas grutas secas no mesmo dia é o jeito mais comum de tornar as duas esquecíveis.

Abismo Anhumas, Bonito, Mato Grosso do Sul

Abismo Anhumas

Aquela em que se desce na corda. A entrada é por rapel através de uma abertura estreita no chão até um salão com um lago; lá embaixo você flutua na superfície de máscara ou mergulha com cilindro, se tiver certificação.

Não é agendamento casual. Tem treino de rapel obrigatório na véspera, numa torre na cidade, e sem ele não se desce. A subida é feita com ascensor e é a parte que as pessoas subestimam.

Os operadores aplicam exigência de idade, peso e condição de saúde, e essas exigências mudam. Confirme direto no agendamento e não na manhã do passeio, principalmente se alguém do grupo tiver alguma condição ou não estiver à vontade com altura ou espaço fechado.

Gruta do Mimoso, Bonito, Mato Grosso do Sul

Gruta do Mimoso

Uma gruta alagada em que a visita acontece dentro d’água e não em passarela. Você flutua dentro do salão com as formações acima e em volta, o que é uma sensação inteiramente diferente de olhar uma gruta de uma plataforma.

Fica mais longe que as outras e leva mais estrada, então funciona melhor como ponto fixo único do dia do que como acréscimo a uma manhã. Quem tem certificação pode descer com cilindro; o resto fica na superfície de máscara.

Como a parte interessante está embaixo e em cima ao mesmo tempo, é a gruta que compensa levar devagar. É também aquela em que o briefing mais pesa: as regras sobre o que dá para tocar existem porque as formações continuam crescendo.

Como escolher

Se for visitar uma gruta só, que seja a Gruta do Lago Azul. É a imagem pela qual a região é conhecida, a visita é simples, e vê-la de manhã cedo não se repete em outro lugar. Se mobilidade for uma preocupação, escolha São Miguel e você perde muito pouco.

Se for visitar duas, pegue uma seca e uma alagada em vez de duas do mesmo tipo. O Abismo Anhumas e a Gruta do Mimoso são as duas que mudam a ideia do que é uma gruta, e as duas cobram algo de você — que é exatamente por isso que valem a vaga.

O dia que a chuva não tira de você

As grutas são a resposta à pergunta que toda viagem a Bonito, MS acaba fazendo: o que a gente faz quando chove? Chuva forte turva os rios e fecha a flutuação, às vezes em cima da hora na própria manhã, e é aí que um agendamento de gruta vira a coisa mais valiosa da sua programação.

As grutas secas são completamente indiferentes ao tempo lá fora. As alagadas são mais sensíveis, porque a água lá dentro pode turvar como a dos rios, mas seguram a visibilidade por mais tempo do que um rio a céu aberto.

Descida em corda no Abismo Anhumas, Bonito, MS

O conselho prático é agendar os rios para o começo da estadia e deixar uma vaga de gruta livre para a segunda metade. Assim um cancelamento escorrega para a vaga livre em vez de tirar algo da viagem, e você volta tendo feito o que foi fazer.

O que levar e o que esperar

As propriedades fornecem o capacete, a lanterna e, quando é o caso, o neoprene e a cadeirinha. O que você leva é pouco, e tem a ver principalmente com a aproximação e a subida:

  • Calçado com aderência que possa molhar — calcário molhado é a superfície mais escorregadia de Bonito.
  • Roupa que não faça falta sujar de barro, e uma muda seca para a volta.
  • Roupa de banho por baixo da roupa para as grutas alagadas.
  • Água para a caminhada, e algo para comer se a visita entrar pela tarde.
  • Câmera que aguente pouca luz; flash raramente resolve um salão subterrâneo.
  • Nada de perfume ou repelente pesado nas grutas alagadas, onde isso afeta a água.

Espere temperatura interna mais estável do que lá fora e umidade alta. Espere o óculos embaçar. E espere o guia pedir para não tocar nas formações: não é regra decorativa, a gordura de uma mão para o crescimento de uma estalactite no ponto em que encosta.

Revisão por falante nativo pendente Última atualização:

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