Circular no Brasil: as distâncias são a primeira coisa a perceber
O primeiro erro ao planear um roteiro brasileiro é subestimar a distância. O país é continental, não há rede ferroviária de passageiros útil ao turismo, e a escolha prática é entre voar e aceitar viagens de autocarro muito longas.
Começar pelas distâncias
O Brasil cobre um continente, e dois sítios que parecem vizinhos no mapa podem estar a um dia inteiro de distância por terra. Os roteiros construídos com pressupostos europeus ou da costa norte-americana sobre tempos de estrada desfazem-se aqui — normalmente já na segunda paragem.
Também não existe rede ferroviária de passageiros útil para viajar entre regiões. Seja qual for o plano, as opções realistas são voar, conduzir ou autocarro de longo curso.
O avião
Os voos internos são a espinha dorsal das deslocações entre regiões e a única forma sensata de vencer as grandes distâncias numa viagem de duração normal. A maioria das rotas passa por um número pequeno de aeroportos centrais, o que faz com que um voo entre duas cidades secundárias custe muitas vezes um dia inteiro.
Vale confirmar se o seu destino tem aeroporto, ou se aterra numa cidade regional e conduz a partir daí. Muitos dos melhores destinos de natureza ficam a três ou quatro horas de estrada do aeroporto mais próximo.
Os autocarros
A rede de autocarros interurbanos é extensa, fiável e chega a sítios onde os voos não chegam. Em rotas curtas e médias é genuinamente prática. Em rotas longas significa muitas horas, por vezes de noite — o que alguns viajantes apreciam e outros acham duríssimo.
Dentro de uma região, o autocarro é muitas vezes a única ligação pública entre vilas, e a frequência cai bastante ao fim de semana.
Conduzir
O carro faz sentido onde os atrativos estão espalhados pelo campo — estradas de litoral, zonas de parques nacionais, destinos rurais com quintas como atrativo. Faz muito menos sentido para viajar entre regiões, onde as distâncias tornam o avião a escolha óbvia.
- A qualidade das estradas varia enormemente entre estados e dentro do mesmo estado.
- As estradas de terra são comuns em destinos rurais e pioram na época de chuva.
- As portagens são frequentes no sudeste.
- Os postos de combustível podem estar afastados no interior — atestar antes de troços vazios longos.
- Conduzir depois de escurecer em estradas rurais traz animais, veículos sem luzes e sinalização fraca.
O último troço é o que surpreende
Ir de uma cidade brasileira a outra é a parte fácil. O que apanha o visitante é o troço final: o destino de natureza a três ou quatro horas do aeroporto, por uma estrada alcatroada só em metade, e o atrativo mais uma hora para lá da vila, em terra batida.
É nesse troço que um plano montado a partir de horários de voo se desfaz, porque é a parte que nenhum horário descreve. Vale perguntar ao alojamento quanto tempo o traslado leva de facto na época em que viaja — a mesma estrada pode levar mais uma hora depois de chuva, e essa hora costuma ser precisamente a que faltava.